Relato de Carlos Souza, ex-aluno do Núcleo Marechal Tito
Meu nome é Carlos, moro na zona leste da cidade de São Paulo, no Bairro de Itaim Paulista, fui aluno do projeto no pólo Marechal Tito durante 4 anos, onde mudei em muito minha forma de ver minhas atitudes, atos em relação a comunidade em que vivo e a minha própria vida. Quando cheguei ao projeto era um menino comum de uma comunidade pobre, com pouca cultura e muita “malicia”, nunca gostei de receber ordens, só respeitava os meus pais, isso as vezes. Para mim tudo estava correto, tinha mérito perante os amigos, bagunçava nas aulas, discutia com os professores, “vandalizava” tudo que via pela frente. A minha vida começou a ser modificada quando uma professora do projeto (profº Cibele), visualizou que eu gostava muito de desenhar e começou a pedir alguns trabalhos para o núcleo, painéis e cartazes, ela começou a conversa comigo e acreditar em mim, sabia que todo jovem estimulado por uma boa idéia tem potencial, só faltava uma oportunidade. Quando me indicou a uma ONG e comecei a fazer um curso de Comunicação Visual, levei muito a sério aquela oportunidade única que recebi, saia de casa 5:00 hs da manhã todos os dias, a tarde fazia aula na núcleo e noite ira para a escola, fazia o ensino médio, não tinha mais tempo para ficar pensando em coisas vans. Terminei meu curso de comunicação visual, foi indicado pelo professor do curso passado a começar um novo curso, o curso Design Multimídia, aceitei na hora. No decorrer do curso foi convidado a participar de um concurso de logotipo comemorativo para os 10 anos do Centro Rexona Ades de Voleibol, e acabei ganhando, nunca pensei que eu tinha talento para isso, é estava na hora de acreditar em mim mesmo. Após isso foi convidado pelo Instituto Esporte Educação para fazer o logotipo para o Internúcleos 2007. Hoje sou funcionário do Instituto Esporte Educação, sou responsável pelo mesmo site que posta este relato, sou um novo jovem, fruto de um projeto social que acredita nos jovem, criança e nas comunidades periféricas, sou um de muitos jovens que escrevem seu futuro com suas próprias idéias, aprendi a ser crítico e autônomo, sou muito grato pela oportunidade e confiança que me deram. Sou apenas mais um jovem, de um bairro pobre, sei que existem muitos outros jovens nas periferias do Brasil que estão na espera de uma oportunidade. Até quando eles vão esperar? Até quando eles vão agüentar?